Como o Profissional do Design de Interiores pode cobrar por seus projetos?

Resolvi escrever sobre esse assunto, pois nós que estamos começando agora, achamos poucas, ou nenhuma informação sobre isso. Vou falar sobre como podemos cobrar pelos nossos serviços de Designer de Interiores.

Podemos cobrar de várias formas diferentes, inclusive pelo m². O que vi no mercado de trabalho é que isso facilita o modo de compreensão das pessoas quanto os nossos serviços, mas eu não faço dessa forma, uma vez que a complexidade do serviço nunca entra nessa conta.

A forma que uso para fazer o orçamento requer o uso de duas tabelas e geralmente o cliente não entende como foi feito, contudo foi o melhor jeito que encontrei de fazer um orçamento justo porque leva em consideração “quanto” trabalho teremos para executá-los. Por exemplo, o valor cobrado para projetar uma cozinha ou banheiro é diferente do cobrado por quem vai fazer um quarto ou sala,  pois o nível de complexidade de cada projeto é considerado nessa conta.

Com a ajuda da minha amiga e arquiteta, Fernanda Penso, (www.fernandapenso.com.br) que trabalha com Arquitetura de Interiores em Porto Alegre/RS, fiz meus orçamentos de forma que acho mais justa conosco Designers de Interiores e com nossos clientes, uma vez que esse modo de cobrança é baseado em números estipulados por órgãos competentes para isso.

Tive acesso a uma tabela do Guia de Orientação Profissional que é produzido pela Associação de Arquitetos de Interiores do Rio Grande do Sul. O Guia é comercializado por essa mesma associação no site http://www.aairs.com.br/gop.htm por R$ 40,00 o Guia + RS 15,00 pelo CD (se quiser)
+ frete.

Disponibilizarei aqui somente parte da tabela, com o intuito de que vocês possam entender como funciona e caso seja solicitado a retirada das tabelas do blog, assim o farei imediatamente. Minha dica é que adquiram o Guia, pois ele possui informações importantes para nós que estamos ainda na faculdade, ou começando a carreira e que temos poucas informações desse tipo, inclusive por parte dos órgãos que poderiam nos fornecer esse tipo de informação (como as nossas Associações) e não fornecem.

Enfim, a conta básica seria da seguinte maneira:

x CUB x tabela = R$ X.XXX,XX

SENDO:

A sendo de cada cômodo em separado, ou da residência, área comercial como um todo.

O CUB é o Custo Unitário Básico que é a padronização dos critérios e normas para cálculo de custos unitários de construção, execução de orçamentos e avaliação global de obra. Cada estado possui o seu CUB e último que saiu no Rio de Janeiro foi o de outubro de 2011. A tabela pode ser obtida no site da Sinduscon pelo link http://www.sinduscon-rio.com.br/release.pdf

E a tabela é a tabela baseada naquela feita pela AAI-RS

EXEMPLO:

Reforma de uma cozinha, um banheiro e uma sala de estar.

Cozinha: 20m²

Banheiro: 3m²

Sala de Estar: 20m²

TOTAL: 43m²

PASSO 1: Soma-se a metragem dos 3 ambientes para definir a linha de índices que você vai usar. Sempre você vai usar a linha de índice do valor total dos ambientes.

PASSO 2: Encontra-se na tabela o GRUPO na qual se encaixa cada cômodo.

Tabela:

GRUPO I

GRUPO II

GRUPO III

Projeto
de Arquitetura de Interiores
Projeto
de Arquitetura de Interiores
Layout
de distribuição de móveis
Escolha
de acabamentos
Distribuição
e localização de pontos elétricos e hidráulicos
Detalhamento
de banheiros e cozinhas
Detalhamento
de mobiliário
Detalhamento
de mobiliário
Detalhamento
de 1 ou 2 móveis
Escolha
de tecidos, móveis, revestimentos e luminárias
Escolha
de tecidos, móveis, revestimentos e luminárias
Escolha
de tecidos, móveis, revestimentos e luminárias
Detalhamento
de forro

*Tabela retirada do Guia de Orientação Profissional da Associação de Arquitetos de Interiores do Rio Grande do Sul – AAI-RS

 

Cozinha e Banheiro: GI

Sala de estar: poderá estar no GII ou no GIII. Nesse caso pode-se definir pela complexidade do projeto. Caso tenha quebras e construções, ele é do GII, contudo, mesmo que não tenha quebras e construções, se possuir mais de 2 detalhamentos de móveis unidos com detalhamento de forro e elétrica, ele passa para o GI. Nesse exemplo, consideraremos que ele esteja no GIII.

PASSO 3: Após encontrar o GRUPO a qual seu projeto se encontra, passe para a tabela abaixo utilizando a linha do TOTAL  da m² e cada ambiente em seu respectivo GRUPO:

GI = 23m² – 0,226

GIII = 20m² – 0,113

ÁREA

GRUPO I

cub/m²

GRUPO II

cub/m²

GRUPO III

cub/m²

0 a 6

0,33

0,22

0,165

7 a 15

0,30

0,20

0,15

16 a 30

0,256

0,17

0,128

31 a 60

0,226

0,15

0,113

61 a 100

0,18

0,12

0,09

101 a 200

0,15

0,10

0,075

Mais de 200

0,12

0,08

0,06

*Tabela retirada do Guia de Orientação Profissional da Associação de Arquitetos de Interiores do Rio Grande do Sul – AAI-RS

 

PASSO 4: Suponhamos que o seu projeto se encaixe no CUB normal. Usa-se então o valor do CUB residencial (R8 – Normal)

R$ 974,16

Abaixo segue apenas uma parte da tabela do CUB para que possamos fazer a conta:


*Tabela retirada do Site Sinduscon Rio

PASSO 4: Cálculo

x CUB x tabela = R$ X.XXX,XX

ou seja

23m² x 974,16 x 0,226 = R$ 5.063,68

20m² x 974,16 x 0,113 = R$ 2.201,60

Valor total do Projeto = R$ 7.265,28

Observações:

*  Esse valor é uma estimativa do que se cobraria por um projeto como esse. Um projeto que inclui plantas, detalhamento de mobiliário, forro, elétrica e etc. podendo-se reduzir ou aumentar esses valores conforme a sua realidade.

*  Estão inclusas também os custos de visitas (quantidade de visitas devem ser definidas previamente no contrato).

*  Nesse valor não estão incluídas as eventuais plotagens e visitas fora das acordadas no contrato que devem ser cobrados por fora.

*  Esse valor é referente aos projetos e ao acompanhamento da obra e visitas a lojas para escolha de mobiliário, equipamentos de iluminação e etc.

*  O cálculo aqui proposto é uma forma cobrar também pela complexidade do projeto e com valores propostos pelos órgãos competentes.

*  Caso não seja necessário o acompanhamento do projeto pode-se reduzir 40% desse valor, entregando ao cliente as plantas executivas e o Memorial Descritivo para que ele mesmo possa executar o projeto.

Acho que é isso, espero que esse post possa ajudar vocês. E lutemos para a regularização da nossa Profissão para que tenhamos um conselho o qual poderemos nos reportar e ter a proteção e ajuda necessária.

Abraços

Eliana Todeschini

11 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Carol Negrão
    nov 14, 2011 @ 17:44:00

    Uau, muito bom esse post… Obrigada pelas informações.. parabens

    Resposta

  2. Eduardo Muller
    dez 11, 2012 @ 08:11:04

    Ola meninas, me chamo Eduardo, e sou de Petropolis, RJ… Estou inciando meus trabalhos como designer agora e estou com dificuldade a respeito de cobrança de visita técnica. Por ex: Um cliente está interessado em fazer um projeto na sua casa… entra em contato comigo para perguntando como funciona o projeto e como é cobrado o orçamento… Eu estou fazendo assim: Marco uma visita técnica na casa do cliente, para ver o espaço, conversar com ele, entender suas necessidades, fazer algumas sugestões para ai sim dar inicio ao projeto…. porém, o que tem acontecido: Eu fazia esta visita sem cobrar nada por ela… e depois de explicar tudo, dar sugestões, o cliente dizia que ia pensar e me retornaria e passava e nao retornava, dizia que ia deixar para depois… Ai, achando injusto, todo meu deslocamento, meu tempo perdido em ir até a casa do cliente e mesmo, por dar sugestões a eles… resolvi cobrar esta visita, com intensão de descontar o valor desta visita no projeto final, caso fosse aprovado… ai, o que tem acontecido agora é que quando falo que a visita tem custo, o cliente cancela a visita…. Quero a ajuda de vcs, para entender como é feito este tipo de procedimento… Desde já agradeço, Abraços, Eduardo

    Resposta

    • Innteriores
      fev 22, 2013 @ 22:08:11

      Oi Eduardo,

      Eu não cobro pela primeira visita não, independente do cliente fechar ou não. Isso é uma prerrogativa do cliente e quando estamos no começo da carreira e não temos escritório no qual as pessoas já vem com a mentalidade de fechar o projeto, isso acontece mesmo e temos que levantar a cabeça e ir em outra 1º visita (rs)

      A primeira visita é MUITO importante pq é nela que tu vais mostrar pro cliente que ele pode confiar em ti e no que tu sabes da profissão. Caso seja cobrada, o cliente já vai meio desconfiado e tem esses que acabam nem querendo a visita.

      O que eu faço é procurar sanar sim as dúvidas que o cliente tem, mas claro, sem dar o projeto todo na hora da visita. Dou algumas dicas até pro cliente se sentir seguro em relação a contratar alguém em quem ele apenas conhece o portifólio ou não conhece nada, falando sobre alguma ideia que possa ter na hora em que entro no ambiente. Mas, como sabemos, apesar do conhecimento, essas dicas são apenas dicas que podem ou não se enquadrar no projeto depois.

      O que eu adotei foi sempre do meio pro final da conversa com o cliente, falar como eu trabalho, como é cobrado o projeto e etc. Por exemplo, caso tu cobre por m², não precisa dizer na hr qnto é a m², mede mais ou menos a m² do local e leva pra casa pra fazer o orçamento. Ou caso faça por essa conta que postei, da mesma forma. Pq a pessoa tbm tem que entender o que tu faz e é uma forma de tu ter o segundo contato com o cliente, mesmo que por email.

      Nesse email o bom é especificar exatamente o que tu vais fazer por aquele valor, tanto a metragem trabalhada, qnto as etapas que vai englobar o projeto, como forma de tranquilizar o cliente, mostrando pra ele que ele ao te contratar, não está só contratando alguém para escolher as cortinas e combinar com o sofá, quer dizer que tu vai fazer um trabalho de excelência em Design de Interiores e que os problemas dele em relação a isso serão resolvidos ao te contratar.

      Cliente seguro é cliente fechando contrato. Pode ter certeza que apenas se ele não tiver condições de pagar teu serviço que tu não vais fechar o contrato. Mas tenta facilitar também o pagamento, na medida do possível que tu possa, colocando nessa proposta de orçamento a tua sugestão de parcelamento. Isso também ajuda a fechar o contrato.

      Desculpa a demora em responder.

      Qq dúvida, pode perguntar.

      Abs

      Resposta

  3. Juliana
    fev 20, 2013 @ 16:37:15

    Não cobre pela visita, e quando te pedirem dicas, seja evasivo… Diga que prefere pensar em planta baixa no seu escritório… Faça o tipo introspectivo… :)

    Resposta

  4. Joaquim Alvarenga
    abr 19, 2013 @ 17:08:02

    Olá Juliana,

    Se me permite, gostaria de compartilhar um artigo que escrevi sobre o assunto:

    “Saiba como colocar o preço ideal em projetos de arquitetura, engenharia e design”

    http://joaquimalvarenga.com.br/blog/?p=380

    Talvez posso ajudar.
    Um abraço!
    Joaquim

    Resposta

  5. Mariana
    out 29, 2013 @ 22:00:58

    Olá! Ótimo post, me ajudou bastante, porém minha dúvida é se posso utilizar esta tabela no Rio de Janeiro?

    Resposta

  6. bruna
    fev 20, 2014 @ 16:32:20

    sou estudante de arquitetura, e estou com uma duvida, estou fazendo projetos de moveis e ideias de decoração para alguns conhecidos, estou com duvida de como cobrar por esses projetos, ate entao estava fazendo de graça, mas notei que nao estou me valorizando desta maneira, alguem pode me ajudar? trabalho com moveis em marcenarias e lojas à quase 3 anos. Existe alguma lei que proíba este ato de trabalhar nesta area sem ser cadastrado, ou qualquer coisa do genero?

    Resposta

  7. Viviane
    mar 18, 2014 @ 14:53:39

    Ola sou Design de Interiores recém formada e gostaria de saber se vc tem um modelo de contrato simples que eu posso usar para prestação de serviço Obrigada.

    Resposta

  8. Karina
    mar 19, 2014 @ 13:19:00

    Gostaria de algum modelo de proposta e de contrato para ambientação. Alguém pode me ajudar?

    Resposta

  9. Rosana
    mai 21, 2014 @ 23:41:11

    Olá, pessoal estou precisando de um modelo de contrato ,para um projeto de Designer, pois todos que eu encontro são muito complicado, quero um mais pratico, alguém pode me ajudar. Abraço.

    Resposta

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